A alocação de ativos explica 40%, 90% ou 100% do seu retorno?
O paper clássico de Ibbotson e Kaplan que separa três perguntas que o mercado financeiro vive confundindo
- Por que "a alocação de ativos explica 90% do desempenho" e "a alocação de ativos explica só 40% do desempenho" podem estar ambas certas ao mesmo tempo
- As três perguntas diferentes que Roger Ibbotson e Paul Kaplan (2000) isolaram — e por que confundi-las gerou décadas de discussão inútil no mercado financeiro
- Os números reais do estudo, com 94 fundos mistos americanos e 58 fundos de pensão, incluindo os dados dos estudos clássicos de Brinson e colegas (1986, 1991)
- Por que o fundo médio, mesmo sendo ativamente gerido, rende praticamente o mesmo (ou um pouco menos) que sua própria política de alocação passiva
- O que isso muda, na prática, na forma como você deveria pensar sobre montar e manter uma carteira
Se você ainda não tem clareza sobre como montar sua própria composição de carteira, vale começar por este estudo de caso passo a passo. Para o que vem a seguir, basta entender um conceito: alocação de ativos (ou "política de alocação") é a divisão da sua carteira entre grandes classes — ações, renda fixa, caixa, ativos internacionais etc. — definida de forma relativamente estável ao longo do tempo, em contraste com decisões de curto prazo como comprar ou vender um papel específico porque "parece uma boa hora".
01Uma pergunta, três respostas
Há uma frase que circula há décadas no mercado financeiro, repetida em relatórios de gestoras, cursos de planejamento financeiro e posts de LinkedIn: "mais de 90% do seu retorno vem da alocação de ativos, não da escolha de papéis individuais". A frase nasceu de um estudo real e sério — mas, ao longo dos anos, virou um telefone-sem-fio. Outros pesquisadores, usando dados diferentes e fazendo perguntas diferentes, chegaram a números como 40%. Quem está certo?
A resposta, segundo Roger Ibbotson (professor de finanças em Yale) e Paul Kaplan (então economista-chefe da Ibbotson Associates), é que os dois números estão certos — porque respondem perguntas diferentes. O paper "Does Asset Allocation Policy Explain 40, 90, or 100 Percent of Performance?", publicado no Financial Analysts Journal em 2000, existe exatamente para desfazer essa confusão de uma vez por todas.
Os autores identificam três perguntas distintas que costumam ser tratadas, erroneamente, como se fossem a mesma:
- Variação no tempo — de quanto dos altos e baixos de UM fundo ao longo do tempo a política de alocação DAQUELE fundo dá conta? (a pergunta que os estudos de Brinson e colegas, de 1986 e 1991, realmente responderam)
- Variação entre fundos — de quanto da diferença de retorno ENTRE dois fundos diferentes a diferença de política de alocação entre eles dá conta?
- Nível do retorno — que fatia do retorno TOTAL de um fundo (não da sua variação, o número em si) é explicada pelo retorno da política de alocação?
São perguntas com respostas numéricas bem diferentes — e é aqui que mora o título do paper: a resposta pode ser 40%, 90% ou praticamente 100%, dependendo de qual das três você está fazendo.
02Retorno de política vs. retorno ativo
Antes de chegar às três respostas, é preciso entender como Ibbotson e Kaplan decompõem o retorno de qualquer carteira. A ideia é simples: todo retorno total (TR) de um fundo, em um período qualquer, pode ser quebrado em duas partes — o retorno que viria só de seguir a política de alocação de forma passiva (PR, policy return) e o retorno adicional (ou a perda) que vem das decisões ativas do gestor (AR, active return): cronometrar o mercado, sobre ou sub-alocar em relação ao peso-alvo, escolher papéis específicos.
TR = (1 + PR) × (1 + AR) − 1
TR = retorno total do fundo · PR = retorno que a política de alocação, sozinha, teria gerado · AR = retorno ativo (a diferença que a gestão ativa fez, para melhor ou para pior)
O retorno de política, por sua vez, é calculado aplicando os pesos-alvo de cada classe de ativo (ex.: 37% em ações large-cap, 35% em renda fixa, 13% em caixa etc.) aos retornos dos índices de referência de cada classe, naquele mesmo período — descontando um custo aproximado de replicar essa mistura via fundos indexados. Ou seja: é o retorno que um investidor teria obtido só copiando a política de alocação do fundo de forma 100% passiva, sem nenhuma tentativa de "bater o mercado".
Para o estudo, os autores usaram dois conjuntos de dados: 94 fundos mistos americanos (que misturam ações e renda fixa na mesma carteira), com 10 anos de retornos mensais entre abril de 1988 e março de 1998, e 58 fundos de pensão americanos, com 5 anos de retornos trimestrais entre 1993 e 1997 (dados reaproveitados de um estudo de Stevens, Surz e Wimer). Nos fundos de pensão, os pesos-alvo declarados eram conhecidos de antemão; nos fundos mistos, os pesos foram estimados por uma técnica estatística chamada análise de estilo baseada em retorno (desenvolvida por William Sharpe), rodada sobre o período inteiro.
03Pergunta 1 — quanto da variação no tempo a política explica
Essa é a pergunta que os estudos originais de Gary Brinson e colegas (1986 e 1991) responderam — e é a origem do famoso "mais de 90%". A pergunta, reformulada de forma simples: pegando UM fundo específico, o quanto dos seus altos e baixos, mês a mês (ou trimestre a trimestre), acompanham os altos e baixos da sua própria política de alocação?
Estatisticamente, isso é medido regredindo o retorno total do fundo contra o retorno da sua política, período a período, e observando o R² dessa regressão — uma métrica que varia de 0% a 100% e mede o quanto da variação de uma variável é "explicada" pela variação de outra. R² de 90% significa que 90% dos altos e baixos do fundo acompanham os altos e baixos da política; o resto é atribuível às decisões ativas do gestor.
| Estudo | R² médio | Período / amostra |
|---|---|---|
| Brinson, Hood & Beebower (1986) | 93,6% | 91 fundos de pensão, trimestral, 1974–83 |
| Brinson, Singer & Beebower (1991) | 91,5% | 82 fundos de pensão, trimestral, 1978–87 |
| Ibbotson & Kaplan — fundos mistos | 81,4% (mediana 87,6%) | 94 fundos, mensal, 1988–98 |
| Ibbotson & Kaplan — fundos de pensão | 88,0% (mediana 90,7%) | 58 fundos, trimestral, 1993–97 |
Os resultados de Ibbotson e Kaplan confirmam a ordem de grandeza de Brinson: em torno de 90% da variação de um fundo típico, ao longo do tempo, é explicada pela variação da sua própria política de alocação. Faz sentido — planos de pensão definem uma meta estratégica de longo prazo e tendem a segui-la de perto; se fossem mais ativos (trocando de alocação com frequência), o R² seria mais baixo.
Só que aqui entra a virada mais importante do paper: esse R² alto pode ser, em boa parte, um efeito de "a maré que sobe levanta todos os barcos" — e não, especificamente, da política de alocação daquele fundo. Para testar isso, os autores regrediram os retornos de cada fundo misto contra um benchmark comum (o mesmo para todos os fundos, em vez do benchmark específico de cada um): primeiro o S&P 500, depois a média dos benchmarks de política de todos os fundos da amostra.
| Benchmark usado na regressão | R² médio | R² mediano |
|---|---|---|
| S&P 500 (mesmo para todos os fundos) | 75,2% | 81,9% |
| Média dos benchmarks de política (mesmo para todos) | 78,8% | 85,2% |
| Benchmark de política específico de cada fundo | 81,4% | 87,6% |
A diferença entre usar o S&P 500 genérico (75,2%) e a política específica de cada fundo (81,4%) é pequena. Ou seja: o R² alto vem, na maior parte, do simples fato de que esses fundos participam do mercado de capitais em geral — sobem quando o mercado sobe, caem quando o mercado cai — e não, especificamente, de terem seguido a sua própria política de alocação em vez de outra qualquer. Como os próprios autores resumem, citando Hensel, Ezra e Ilkiw (1991): os estudos de Brinson usaram como referência de comparação uma carteira 100% em caixa, o que é uma alternativa pouco realista — comparado a uma referência mais razoável (a política média de todos os fundos), a alocação específica de cada fundo explica bem menos do que a metade da variação restante no tempo.
04Pergunta 2 — quanto da diferença entre fundos a política explica
Essa é a pergunta que a maioria das pessoas acha que os estudos de Brinson responderam — mas não responderam. A pergunta certa aqui é outra: comparando dois fundos diferentes entre si, o quanto da diferença de retorno entre eles vem da diferença entre as suas políticas de alocação?
Para responder, é preciso uma análise diferente — cross-sectional (entre fundos), não mais no tempo (dentro de um único fundo). Os autores calcularam o retorno composto anual de 10 anos de cada um dos 94 fundos mistos e da sua respectiva política, e regrediram um contra o outro, fundo por fundo.
É um número bem mais baixo do que os ~90% da Pergunta 1 — e é justamente daqui que vem o "40%" do título do paper. A política de alocação explica menos da metade da diferença de retorno entre fundos mistos diferentes; o resto (60%) vem de outros fatores: cronometragem entre classes de ativos, escolha de estilo dentro de cada classe, seleção individual de papéis, e taxas.
Por que a Pergunta 1 dá ~90% e a Pergunta 2 dá ~40%, se ambas envolvem "a mesma política de alocação"? Porque medem coisas diferentes. Um fundo pode seguir sua própria política de forma consistente ao longo do tempo (R² alto na Pergunta 1) e, ainda assim, ter uma política muito diferente da de outro fundo — e essas diferenças de política, somadas às apostas ativas de cada um, produzem uma dispersão de retornos entre fundos que a política sozinha não captura bem.
O quanto esse R² de 40% cai ou sobe depende diretamente de quanto os fundos se afastam da própria política (o grau de gestão ativa). Os autores testaram isso simulando retornos "modificados" — misturas ponderadas entre o retorno real do fundo e o retorno da sua política, variando o peso da parte ativa:
| Cenário | R² entre fundos |
|---|---|
| Fundos metade tão ativos quanto foram de fato | 81% |
| Nível de atividade real da amostra (resultado do estudo) | 40% |
| Fundos 50% mais ativos do que foram de fato | 14% |
Essa tabela é, na prática, o resumo de todo o argumento: quanto mais os gestores se afastam da política declarada, menor fica a capacidade de "a política" explicar a diferença de retorno entre fundos — porque a diferença passa a vir cada vez mais das apostas ativas, não da alocação de base. Os fundos mistos da amostra tinham políticas bem diversas entre si (o desvio-padrão da alocação em ações large-cap, por exemplo, era de 17 pontos percentuais em torno de uma média de 37,4%) — então um R² de apenas 40% só é possível porque, além de terem políticas diferentes, esses fundos também praticaram um grau considerável de gestão ativa.
05Pergunta 3 — quanto do nível do retorno a política explica
A terceira pergunta é diferente das duas anteriores: em vez de olhar para variação (no tempo ou entre fundos), ela olha para o nível — o número do retorno em si. Quanto do retorno total que um fundo efetivamente entregou é, na prática, igual ao retorno que a política sozinha teria entregado?
A métrica aqui é simples: para cada fundo, dividir o retorno composto anual da política (PR) pelo retorno composto anual total do fundo (TR). Um fundo que seguiu exatamente sua política, de forma passiva, teria essa razão em 100%. Um fundo que superou sua política via gestão ativa teria uma razão abaixo de 100%; um fundo que ficou atrás da própria política teria uma razão acima de 100%.
| Amostra | Média | Mediana |
|---|---|---|
| Brinson 1986 | 112% | — |
| Brinson 1991 | 101% | — |
| Fundos mistos (Ibbotson & Kaplan) | 104% | 100% |
| Fundos de pensão (Ibbotson & Kaplan) | 99% | 99% |
O resultado é contundente: em média, a política de alocação explica um pouco mais de 100% do nível de retorno — ou seja, na média, os fundos ativamente geridos da amostra renderam igual ou levemente menos do que sua própria política teria rendido de forma passiva. A gestão ativa, em média, não estava adicionando valor líquido — estava, na melhor das hipóteses, empatando, e frequentemente ficando atrás depois de custos.
Isso não é coincidência nem falha metodológica — é matemática de agregação, um argumento formalizado por William Sharpe em 1991 ("The Arithmetic of Active Management"): como a soma de todos os investidores é, por definição, o próprio mercado, o retorno médio de todos os investidores antes de custos tem que ser igual ao retorno do mercado. Como custos não se cancelam entre investidores (eles são uma perda líquida, não uma transferência), o investidor médio necessariamente fica atrás do mercado depois de custos. Ibbotson e Kaplan confirmam essa previsão com dados reais: o investidor médio (aqui, o fundo médio) não bate a própria política — fica em cima dela ou, mais frequentemente, um pouco abaixo.
A dispersão em torno dessa média também importa — e é grande:
| Percentil | Fundos mistos | Fundos de pensão |
|---|---|---|
| 5º (melhor desempenho ativo) | 82% | 86% |
| 25º | 94% | 96% |
| 50º (mediana) | 100% | 99% |
| 75º | 112% | 102% |
| 95º (pior desempenho ativo) | 132% | 113% |
Ou seja: existem, sim, fundos individuais que superam bastante sua própria política (5º percentil: apenas 82% do retorno veio da política, o resto foi valor agregado pela gestão ativa). O problema é que não há como saber de antemão qual fundo vai estar nesse grupo — e, para cada fundo que supera com folga, existe outro simetricamente pior no percentil 95.
Em média, mais de 100% do nível de retorno de um fundo é explicado pela sua política de alocação — o que, na prática, significa que a gestão ativa, líquida de custos, raramente adiciona valor. Isso não torna a gestão ativa inútil para todo mundo; torna-a uma aposta com expectativa média negativa, na qual alguns poucos vencem às custas de muitos que perdem.
06Juntando as três respostas
Voltando à pergunta do título: "a alocação de ativos explica 40%, 90% ou 100% do desempenho?" A resposta de Ibbotson e Kaplan é literalmente "todas as alternativas", porque cada número responde a uma pergunta diferente:
| Pergunta | O que mede | Resultado aproximado |
|---|---|---|
| 1. Variação no tempo | Quanto os altos e baixos de UM fundo acompanham sua própria política | ~90% |
| 2. Variação entre fundos | Quanto a diferença de retorno ENTRE fundos vem de diferenças de política | ~40% |
| 3. Nível do retorno | Que fração do retorno TOTAL entregue é igual ao retorno da política | ~100% (um pouco acima) |
A confusão histórica, segundo os próprios autores, veio de tratar a resposta da Pergunta 1 (o resultado de Brinson e colegas) como se ela respondesse também às Perguntas 2 e 3 — o que os estudos de Brinson nunca se propuseram a fazer. A crítica de William Jahnke (1997), que acusava os estudos de Brinson de terem usado a ferramenta errada para a pergunta certa, também é, segundo Ibbotson e Kaplan, injusta pelo mesmo motivo: Brinson nunca tentou responder à pergunta cross-sectional, então não pode ser criticado por "errá-la".
07O que muda na prática
Passado o rigor estatístico, o que um investidor individual — leigo ou experiente — deve tirar disso?
A decisão de alocação é, de longe, a mais importante — mas não porque "explica 90% do retorno"
É a mais importante porque é a decisão mais estável e mais sob seu controle: você escolhe os pesos entre ações, renda fixa, caixa e outras classes uma vez (com revisões pontuais), e essa escolha domina o comportamento da sua carteira no tempo. A escolha de qual ativo específico comprar dentro de cada classe tem impacto real, mas secundário — e tende a se cancelar quando comparada entre investidores diferentes.
Não espere que "escolher os ativos certos" seja, sozinho, a diferença entre sucesso e fracasso
Nos dados do estudo, o fundo médio rendeu igual ou um pouco menos do que sua própria política passiva — depois de custos. Isso não significa que gestão ativa nunca funciona (o 5º percentil da amostra superou bastante a própria política); significa que apostar nisso, sem critério nenhum de seleção, tem expectativa média desfavorável. Se optar por gestão ativa em alguma parte da carteira, faça isso com convicção e critério — não como padrão.
Ao comparar sua carteira com a de outra pessoa, foque na alocação — não só no retorno final
Como a diferença de retorno ENTRE investidores vem, em boa parte (60%, segundo este estudo), de fatores fora da alocação — cronometragem, seleção de papéis, taxas — comparar apenas o número final do retorno de duas carteiras, sem olhar a composição de cada uma, é comparar coisas parcialmente diferentes. Para comparar composições de forma mais justa, dá para simular pesos diferentes lado a lado no comparador de composição de carteira.
O retorno "do mercado" não é uma meta pessoal — a sua política de alocação, sim
Como o retorno médio agregado de todos os investidores, antes de custos, é necessariamente o retorno do mercado (aritmética de Sharpe), tentar "bater o mercado" de forma consistente é, por definição, um jogo de soma negativa depois de custos, para a média dos participantes. Definir e manter uma política de alocação coerente com seus próprios objetivos — não com a meta abstrata de "vencer o índice" — é uma meta mais realista e mais acionável.
08Limitações do estudo
Vale honestidade sobre o que este paper não cobre — nenhum estudo é definitivo, e este tem limites claros:
- Amostra e período datados. Os dados são de fundos mistos e de pensão americanos, entre o fim dos anos 1980 e os anos 1990 — um período de mercado de ações americano fortemente positivo na maior parte do tempo. Os próprios autores notam que parte do resultado da Pergunta 3 pode ter se beneficiado de gestores que simplesmente "deixaram as ações correrem" (não rebalancearam) durante essa alta, o que ajudou o retorno realizado sem ser, tecnicamente, uma decisão ativa deliberada.
- Não é sobre o mercado brasileiro. Nenhum dos números deste artigo (90%, 40%, ~100%) deve ser tomado como válido, sem ajuste, para fundos ou carteiras no Brasil — a estrutura de custos, tributação, disponibilidade de produtos indexados e comportamento dos gestores locais são diferentes o suficiente para justificar ceticismo até que exista um estudo equivalente com dados brasileiros.
- Pesos de política estimados, não observados, para os fundos mistos. Como a alocação declarada dos 94 fundos mistos não estava disponível período a período, os autores a estimaram por análise de estilo estatística — uma técnica robusta, mas que é uma aproximação, não a alocação real exata em cada mês.
- "Em média" esconde variação individual real. O resultado da Pergunta 3 (fundo médio ≈ 100% explicado pela política) não significa que todo fundo individual seja assim — a faixa entre o 5º e o 95º percentil vai de 82% a 132% nos fundos mistos, uma dispersão considerável.
- "A alocação explica 90% do desempenho" e "a alocação explica 40% do desempenho" respondem perguntas diferentes — variação no tempo de um único fundo vs. diferença de retorno entre fundos diferentes — e podem estar ambas corretas ao mesmo tempo.
- Em média, mais de 100% do nível de retorno de um fundo é explicado pela sua própria política de alocação: a gestão ativa, líquida de custos, raramente adiciona valor para o investidor médio.
- A decisão que mais separa investidores no longo prazo é como alocar entre classes de ativos — não escolher o papel individual "certo" dentro de cada classe.
- Comparar retorno bruto entre carteiras sem olhar a composição de cada uma é uma comparação incompleta, porque boa parte da diferença entre investidores vem de fatores fora da alocação.
- Os números deste estudo (EUA, 1988–1998) são um ponto de partida conceitual, não uma constante universal aplicável sem ajuste ao Brasil de hoje.
Todos os números citados neste artigo vêm diretamente do primeiro item da lista abaixo — o paper original, lido na íntegra. Os demais itens são as referências clássicas citadas dentro dele (Brinson et al., Sharpe), reproduzidas aqui exatamente como listadas na bibliografia original do artigo, sem link verificado por nós; busque pelo título e periódico se quiser acessá-las.
- Ibbotson, Roger G., e Paul D. Kaplan. "Does Asset Allocation Policy Explain 40, 90, or 100 Percent of Performance?" Financial Analysts Journal, vol. 56, no. 1 (Jan/Fev 2000): 26–33.
- Brinson, Gary P., L. Randolph Hood, e Gilbert L. Beebower. "Determinants of Portfolio Performance." Financial Analysts Journal, vol. 42, no. 4 (Jul/Ago 1986): 39–48.
- Brinson, Gary P., Brian D. Singer, e Gilbert L. Beebower. "Determinants of Portfolio Performance II: An Update." Financial Analysts Journal, vol. 47, no. 3 (Mai/Jun 1991): 40–48.
- Sharpe, William F. "The Arithmetic of Active Management." Financial Analysts Journal, vol. 47, no. 1 (Jan/Fev 1991): 7–9.
O que você pode aprender na sequência?
Como montar e simular composições de carteira reais — do estudo de caso completo à sua própria PWR.
Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento, tributária ou de planejamento financeiro personalizada. O conteúdo publicado neste espaço é fornecido exclusivamente para fins educacionais e de entretenimento, com base na liberdade de expressão garantida pelos artigos 5º, inciso IV, e 220 da Constituição Federal de 1988. Nada contido neste site deve ser interpretado como recomendação direta de compra/venda de ativos ou aconselhamento financeiro individualizado. Os ativos, estratégias, cenários ou ferramentas apresentados refletem apenas minhas opiniões, simulações e experiências pessoais, que podem não ser adequadas ao seu perfil de risco ou aos seus objetivos. Rendimentos e resultados passados não garantem retornos futuros. Calculadoras e ferramentas de simulação geram apenas estimativas probabilísticas, e não previsões exatas de mercado. Como autor deste site, não me responsabilizo por eventuais perdas, danos ou consequências financeiras decorrentes de decisões tomadas com base no conteúdo lido. As opiniões registradas por leitores na área de comentários são de responsabilidade exclusiva de quem as publica e não representam meu posicionamento oficial. Todo o conteúdo é direcionado primariamente ao público residente no Brasil - acessos originados de outros países exigem a verificação de conformidade com as leis e regulamentações locais.
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